quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Stuck in the game



O sol reflete-se na tua pele, ganhando mais brilho por tocar na perfeição que és. E isto poderia ser mais uma daquelas histórias de amor, com encontros e desencontros, bondade e maldade, pensamentos impuros pela manhã quando te vejo mais uma vez sem roupa na minha cama. Mas não é…

O sol que se reflete na tua perfeição, vem da janela do meu quarto, em que as gretas dos estores, são a única ligação que temos ao mundo exterior. 

-Que se lixe o mundo e tudo o resto.- penso eu olhando agora para a janela.

A teoria da relatividade de Einstein mais uma vez dá as suas mostras, o mundo pára quando estou contigo. Nada mais importa porque estamos juntos, seja no meio do calor da paixão, dos gritos e tremores, quer seja nos beijos inocentes que trocamos antes disso tudo. E de tudo, o que mais gosto, é desses beijos, inocentes, em que não pensamos em mais nada, em que o prazer e a tentação nos rodeiam mas não nos tira a inocência que perdemos na cama. 

Essa inocência volta sempre que te olho nos olhos. Vejo a doçura de menina que reside em ti, a bondade e simpatia que transmites, fazendo de mim melhor pessoa. E a inocência vai e vem, mas volta sempre, nem que seja por breves instantes. 

Nunca te disse mas sempre que te olho nos olhos lembro me da minha infância. Tempos mais simples, mais genuínos. Tempos em que era bondoso, simpático, sem pensamentos tentadores, sem a frieza que os desgostos em nós provocaram. 

No entanto, o que mais me fazes lembrar é uma história de infância. Sabes aquelas máquinas de peluches em que tens que agarrar o que queres com uma garra, e pô-lo na ranhura para o conseguires? Pois houve um dia, em que a minha mãe foi às compras, e deixou-me ali a jogar na máquina. Do meio da multidão de peluches, vi logo algo que se destacava. Um ursinho de peluche, tipo o do Mrs. Bean. Logo tentei tira-lo, mas ele caiu, quando já estava no ar. E tentei mais uma vez, mas ele voltou a cair. E mais uma. E outra. E mais outra. Até que acabaram as moedas, que eu tinha. Eu tinha estado tão perto de o ter por completo que apenas tinha que jogar o jogo até o ter mesmo. Sem moedas, em desespero, entrei pela ranhura para dentro da máquina só para o ter. Só que uma vez lá dentro, já não consegui sair. Fiquei preso no jogo, por querer demais aquilo. 

E tal como agora, estou preso no jogo. Desde o dia em que te conheci, eu também te reconheci do meio da multidão. E fomos nos aproximando. Fomos nos conhecendo. E eu fui jogando o jogo, de vai e vem, de chegar mais perto e ser afastado, até que te tive. Mas não por completo. Somos uma história de pensamentos impuros, gemidos e tremores, enquanto agarras os lençóis da minha cama com a mesma força que agarras o mundo. Não somos, casal, somos casual. Tu não te queres apegar por teres sido ferida no passado, eu não quero perder o que tenho por saber a dor de perder. Mas nós vamos jogando este jogo perigoso. Este jogo em que te quero ter por completo, que quero que sejamos um “Nós” e não apenas um “Eu e Tu”. 

E vou jogando o jogo, porque estou preso a ele… Estou preso a ti.