O sol reflete-se na tua pele,
ganhando mais brilho por tocar na perfeição que és. E isto poderia ser mais uma
daquelas histórias de amor, com encontros e desencontros, bondade e maldade,
pensamentos impuros pela manhã quando te vejo mais uma vez sem roupa na minha
cama. Mas não é…
O sol que se reflete na tua
perfeição, vem da janela do meu quarto, em que as gretas dos estores, são a única
ligação que temos ao mundo exterior.
-Que se lixe o mundo e tudo o resto.- penso eu olhando agora
para a janela.
A teoria da relatividade de
Einstein mais uma vez dá as suas mostras, o mundo pára quando estou contigo.
Nada mais importa porque estamos juntos, seja no meio do calor da paixão, dos
gritos e tremores, quer seja nos beijos inocentes que trocamos antes disso
tudo. E de tudo, o que mais gosto, é desses beijos, inocentes, em que não
pensamos em mais nada, em que o prazer e a tentação nos rodeiam mas não nos
tira a inocência que perdemos na cama.
Essa inocência volta sempre que
te olho nos olhos. Vejo a doçura de menina que reside em ti, a bondade e
simpatia que transmites, fazendo de mim melhor pessoa. E a inocência vai e vem,
mas volta sempre, nem que seja por breves instantes.
Nunca te disse mas sempre que te
olho nos olhos lembro me da minha infância. Tempos mais simples, mais genuínos.
Tempos em que era bondoso, simpático, sem pensamentos tentadores, sem a frieza
que os desgostos em nós provocaram.
No entanto, o que mais me fazes
lembrar é uma história de infância. Sabes aquelas máquinas de peluches em que
tens que agarrar o que queres com uma garra, e pô-lo na ranhura para o
conseguires? Pois houve um dia, em que a minha mãe foi às compras, e deixou-me
ali a jogar na máquina. Do meio da multidão de peluches, vi logo algo que se
destacava. Um ursinho de peluche, tipo o do Mrs. Bean. Logo tentei tira-lo, mas
ele caiu, quando já estava no ar. E tentei mais uma vez, mas ele voltou a cair.
E mais uma. E outra. E mais outra. Até que acabaram as moedas, que eu tinha. Eu
tinha estado tão perto de o ter por completo que apenas tinha que jogar o jogo
até o ter mesmo. Sem moedas, em desespero, entrei pela ranhura para dentro da
máquina só para o ter. Só que uma vez lá dentro, já não consegui sair. Fiquei
preso no jogo, por querer demais aquilo.
E tal como agora, estou preso no
jogo. Desde o dia em que te conheci, eu também te reconheci do meio da
multidão. E fomos nos aproximando. Fomos nos conhecendo. E eu fui jogando o
jogo, de vai e vem, de chegar mais perto e ser afastado, até que te tive. Mas
não por completo. Somos uma história de pensamentos impuros, gemidos e
tremores, enquanto agarras os lençóis da minha cama com a mesma força que
agarras o mundo. Não somos, casal, somos casual. Tu não te queres apegar por
teres sido ferida no passado, eu não quero perder o que tenho por saber a dor
de perder. Mas nós vamos jogando este jogo perigoso. Este jogo em que te quero
ter por completo, que quero que sejamos um “Nós” e não apenas um “Eu e Tu”.
E vou jogando o jogo, porque
estou preso a ele… Estou preso a ti.