Não sei se hei de te amar ou
odiar. Aplicas te demasiada pressão ao prometer-me o paraíso. E o paraíso
transforma-se em inferno com o ritmo consumista que tenho que manter para te
deixar satisfeita. Tenho que esquecer e perdoar. Seguir em frente e voltar a
sonhar.
Sinto um rombo no meu barco.
Sinto-me a naufragar. A água entra demasiado rápido para que eu possa esboçar
qualquer tipo de reacção. Fecho os olhos, e por breves instante, quero que a
corrente me leve. Abro os olhos, e lá
estás tu. Apareces-te do nada mais uma vez, fazendo peso e pressão para que me
naufrague.
Acordo do
sonho com um peso no peito e um aperto no coração. Recordo das vezes em que
dizias que eu era apenas tolo e ingénuo. De quando me davas a mão sem qualquer
intenção que não a mais sincera e sublime delas. De todos os risos que
partilhamos, dos carinhos espontâneos….
….E de repente todo o meu
pensamento e interrompido. Oiço passos na minha direcção. O som ecoa, a pessoa
parece cada vez mais perto. Tu sempre tiveste aquela ânsia em chegar ao que
querias, sem pensar em consequências ou medos. E o aumentar daquele barulho
fazia-me pensar no desassossego que sentia por não estares comigo.
Puf… O
barulho foi diminuindo até que desapareceu. O barulho e o interesse. Na
verdade, estes sempre foram dois elementos que tiveram ligados intimamente. Saiu
da cama. Tinha que escapar das memórias que me faziam sentir ligado a ti. E
corria pela casa, desesperado para encontrar a saída. Assim que a encontrei
corri o mais rápido possível, sem olhar para trás. E a noite, transformou-se em
dia.
Estava sozinho numa qualquer rua,
olhei para o céu. Nunca o sol brilhou tanto como naquele momento. Sentia a caírem
no chão pequenos cristais de gelo que caiam do meu corpo. Descongelado,
sentia-me leve. Subi no céu para tentar roubar pequenas doses de sol para os
dias tristes. Porque mesmo descongelado, esses dias existem.