sexta-feira, 18 de julho de 2014

Quando a máscara cai



“E aqui estamos no fim da noite, num mundo em que todos estamos tão desesperados para sentirmos algo, qualquer coisa, que batemos uns nos outros, despegados de emoção e estragamos os nossos caminhos para a felicidade ao longo da nossa existência.”

Li isto num texto. Não sei bem onde, mas este conjunto de palavras de forma aleatória fazem-me pensar em tanta coisa. 

Neste mundo cada vez mais ligado e cada vez mais distante, tudo o que agora tens como garantido no próximo minuto pode fugir de ti, sair do teu controlo. E o que agora estás a pensar, não é a mesma coisa que pensaste o ano passado, e certamente não será a mesma coisa que pensaras daqui a um ano. 

Porque? , perguntas tu ingénuo com o mesmo pensamento de uma criança de 8 anos… Bem porque a vida muda, e tu mudas com ela. E este mundo faz-te mudar com a rapidez de um clique. Na verdade, muda-te e transforma-te o mundo, as pessoas que te rodeiam, as pessoas que amas, toda a rede social que te rodeia desde a escola, universidade, trabalho, amigos e família. E tu mudas sem te aperceberes…

E aquilo que eras ontem, não és hoje e não serás amanhã. As desilusões tornam-te mais frio, os fracassos mais resistente, e todas as confusões tornam te mais forte e ao mesmo tempo mais distante. E aquela criança ingénua que queria mudar o mundo foi mudada por ele ficando mais fria e distante. Mais incapaz de acreditar nos outros, na bondade que há no mundo.

Mas no final de tudo, naquele momento em que olhas nos olhos quem gostas, tu voltas a ser aquele romântico não assumido, aquele ingénuo miúdo que acredita na bondade das pessoas… E é nesse momento, em que finalmente a máscara cai que vês toda a beleza que há no mundo, e o mundo vê toda a tua beleza.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Ninguém percebe




A vida dá muitas voltas. E meia volta, tu acabas a desabafar com alguém. Em comum com 7 biliões de pessoas e biliões de biliões de conversas, esses desabafos têm a desilusão de algo não ter sido como o esperado. O choque entre realidade e expectativas sempre foi uma alegoria que causou ao longo do tempo inúmeros feridos. Esse choque será sempre razão de desilusão e desabafos, de choro e de gritos, de fim de esperança e de início de decepção.

No meio do choro, e entre os corpos de mais uma expectativa furada, desabafamos sobre mais uma página negra do grande livro que é a vida. Podemos queixarmo-nos de amor, de amizade, do que já foi e não volta a ser, de dinheiro, das condições de vida. A vida tem um conjunto de circunstâncias e caminhos sinuosos que por vezes nos deitam a baixo e fazem-nos duvidar de tudo.

E do outro lado, está um ouvinte atento que analisa cuidadosamente todas as palavras que lhe são dirigidas. Mentalmente, ele tenta compreender e analisar a nossa situação. E todo um mundo de emoções vai passando de nós para a pessoa que se encontra à nossa frente.  E o mundo pára no instante em que ele abre a boca e solenemente diz de sua justiça. E o reconforto e ânimo que esperamos ali encontrar logo se esfumam quando a resposta do outro lado é um simples “eu percebo bem o que isso é” ou um frio e distante “sinto o mesmo”.

E aquele reconforto que esperávamos voa sem direcção. Pensamos que a nossa situação não é virgem, não é a calamidade que julgávamos ser capaz de nos mandar a baixo. Mas como serão eles capazes de perceber toda a complexidade da nossa interacção com o motivo de dor e sofrimento?

E começamos com a sensação que o apoio que esperávamos receber também ele era uma falsa expectativa. Mais um motivo de tristeza. Ficamos mais sós, e evitamos desabafar. Porque seja qual for o motivo da nossa tristeza, as pessoas podem tentar perceber mas nunca o fazem na realidade. Porque só quem está a viver a situação e que sabe o sofrimento pelo qual está a passar, a angústia que tem que combater, a força que tem que ter para continuar a lutar. Porque na realidade ninguém percebe.