*And no would be, oh, it's uncertain
Whether the curtain has shut for good
She says, "See if it's still raining
I'm not dressed for it and if you loved me"
And I interrupt to receive the scowl and stare
But still decided to stop her there*
A música entoava pelo carro, enquanto ele impaciente esperava.
"Como é possível alguém demorar tanto?", pensava ele, abrindo mais uma vez o Instagram à espera de mais uma publicação da sua crush. Entre likes, miúdas em busca de aprovação e caras feias, o tempo de espera ficava mais suportável.
*knock knock*
-Abre o carro!- diz Tomás com a respiração ofegante.
-Finalmente! És pior que as minhas ex´s- disse ele em tom irónico.
-Desculpa, sabes como é, tenho que ficar bonito- respondeu Tomás enquanto se sentava.
-Já há Photoshop para a vida real?- rindo-se, continuou- é que se não essa desculpa não cola.
-Que engraçadinho! Anda mas é lá com isso que já estamos atrasados- respondeu Tomás com cara de poucos amigos.
Poucos amigos de forma literal. Tomás era o seu melhor amigo e os dois eram das poucas amizades que o ensino superior e jovens licenciados bêbedos não tinham estragado.
"Amizades do secundário são para a vida." A maior mentira que nos contam no 12º ano. Se uma relação de namoro já é difícil de manter, imaginem uma de apenas amizade que não tem o incrível sexo de "eu estou cheio de saudades tuas".
-Isto é irónico- Disse ele a Tomás.
-O que parvo?- Respondeu ele, ainda ressentido das piadas ofensivas anteriores.
-Estarmos a ir para um jantar de aniversário de alguém que não vemos há meses- continuou pensativo
-É comida de borla e boa companhia, não tem como dar errado- disse rindo-se Tomás.
Chegados ao local, os "heróis" desta história depararam-se com a hercúlea tarefa de arranjar lugar no meio de tanto carro estacionado. Olharam para aquele amontoado de carros e depois entre si. Pensaram o mesmo "como é que estão aqui tantos carros?".
Saíram do carro, tentando-se arranjar e ficar com o melhor aspecto possível. Ele avançava, tentando pentear o cabelo com uma mão enquanto agarrava com a outra uma garrafa de Jack Daniel's.
-É mal empregue, disse Tomás, continuando- ainda vamos a tempo de acabar com ela os dois e irmos tentar comer algumas pegas numa festa qualquer.
-Cala-te mas é- respondeu, tentando ser sério e integro- Não deixa de ser tentador mas sabes que procuro mais.
-Oi, oi, estava a ver que nunca mais chegavam- disse Bruna, a namorada do aniversariante.
-Fogo, és tu que estás a receber as pessoas? Pensava que o João arranjava melhor para essa função- disse ele com o típico humor agressivo dele.
-Que parvo!- respondeu ela dando-lhe em simultâneo um murro no braço.
O "Momento Zero" da noite era finalmente alcançado. A partir daí, jantar, festa o que acontecesse era apenas consequência de decisões mal tomadas pelo nervosismo ou pelo excesso de álcool no organismo.
E logo ali começou a típica cisão de grupos dentro do grupo. Toda a gente a falar entre si e ele a tentar agradar a uma pequena plateia com humor auto-destrutivo ou de referência. Copo cheio, copo vazio. O ciclo de tentativa falhada de interacção humana tinha começado.
E continuava...
-E quem achas que ganha as primárias democratas?- perguntava Tiago, dos poucos que falava com ele de assuntos mais sérios, no meio daquela confusão
-Vai ser a Hilary. Vou me rir se os Estados Unidos elegerem uma presidente que tem mais enfeites que uma árvore de Natal.- disse ele rindo-se
-Enfeites? Não percebi.- perguntava uma das caras novas naquele jantar.
"Que boner killer. É tão triste ver uma rapariga tão bonita estragar tudo quando abre a boca"- pensou ele acenando a cabeça em sinal de reprovação.
Chamava-se Maura. Ou era Maria. O nome estava confuso. A conversa com Tiago e o álcool ganharam sobre a sua apresentação tímida. Coitada.
-Cláudia, chega aqui!- gritou ela virando-se em direcção a uma rapariga morena bem bonitinha.
-Diz oh pega- disse ela aproximando-se do grupo sorrindo.
-Conta-lhe a piada! Já que nenhum dos dois me explica, explica ela.- retorquiu a rapariga estúpida.
-Bem, eu e o Tiago estávamos a falar das primárias dos democratas, e eu disse que seria estranho no final de tudo ver uma presidente com mais enfeites que uma árvore de natal.- disse ele de forma calma e meio desinteressada.
-E que tem que bater as portas sempre para dar tempo para o Bill subir as calças antes dela entrar- respondeu Cláudia rindo-se como se não houvesse amanhã.
"Fuck", pensava ele enquanto se ria da piada. Como é estranho hoje em dia ver uma cara bonita que além de inteligente tem bom sentido de humor.
E como é óbvio, o teste teria que ser feito, e conversas fluíram tão rápido como garrafas de vinho e sangria.
O jantar chegará finalmente ao fim. E o after dinner era feito com mais bebida, doces e conversas desconexas e sem sentido por toda a casa. E de entre tantos grupos formados, ele pensava em como estava interessante a sua conversa com Cláudia. E entre assuntos sérios e outros tabu, o humor dos dois e a química existentes faziam com que o interesse dele aumentasse.
E como isso hoje em dia era raro. Raro demais. Crush físicas são inevitáveis para o ser humano, mas aquilo... Aquilo era química de mentes semelhantes. Amor intelectual e espiritual. E isso, isso não se pode fingir. Ou ignorar.
-E então, como é que alguém como tu, está nesta terrinha como esta?- perguntou ela, com um olhar intrigado.
-Uma série de más decisões e demasiadas garrafas de vodka vazias.- respondeu ele, num momento de rara sensibilidade, continuando- Nem todos podem viver na capital e ter projectos de ir para Londres continuar os estudos.
-Tu podias. É estranho mas acho que és mais do que tu pensas que és. Porque te prendes tanto aqui?- retorquiu Cláudia pensativa, olhando-o nos olhos.
-Nem eu sei...- disse, olhando para o fundo de mais um copo vazio.
Do after dinner, para a party. O roteiro contava com a visita a mais uma festa temática de uma discoteca de sucesso por ser a única de qualidade da região.
E ele pensava em como era tão melhor continuar simplesmente a falar com ela.
A noite avançara. Os casais dançavam as músicas de kizomba agarrados, numa imagem perto o suficiente de soft porn para adolecentes. Os desesperados e desesperadas agarravam-se à esperança de naquela noite poderem finalmente não estar sozinhos. Os calmos bebiam, olhavam e pensavam na vida. Ele era um dos últimos.
Entre copos vazios e pensamentos distantes ele pensava em como ela era bonita.
"Que sentimento estranho que ela faz-me ter."- Pensou ele, enquanto cravava mais um cigarro a Tiago e a Tomás.
E de lá saiu em direcção à varanda daquela discoteca barulhenta. Seguido em segredo.
-Porque vieste para aqui?- perguntou Cláudia, interrompendo-o na árdua tarefa para um bebedo de acender um cigarro.
-Precisava de ar fresco.- respondeu ele pensativo.
-Anda dançar comigo. Faz te bem espairecer.- insistiu ela
-Talvez depois.- disse ele entre os primeiros bafos num cigarro de marca desconhecida para ele.
-A sério, porque te prendes tanto?- perguntou-lhe Cláudia, agarrando-lhe a mão direita.
Silêncio. A resposta estava entalada na garganta. E ele apenas conseguia olhar nos olhos dela, como se nada mais houvesse no mundo. E de repente, os olhares passaram a ter outros alvos. E quanto mais ele olhava para ela e para a sua boca, mais o silêncio era interrompido.
Tambores. O característico rufo dos tambores que na tua cabeça fazem a banda sonora perfeita para o que tu pensas ser o pré-beijo. E como esse rufar estava ensurdecedor. As caras dos dois aproximavam-se lentamente. E os olhos devagar se iam fechando, como assim deve ser no primeiro beijo.
E como era bom beijar alguém, não por pura atracção física mas por algo mais, por atracção mental e espiritual.
Depois do beijo, os sorrisos. O sorriso. Porque o dele depressa desaparecera.
-Que foi?- perguntou ela, fazendo-lhe uma carícia no rosto.
-Isto é tão injusto.- respondeu ele com um olhar triste.
-Porque?- disse ele olhando nos olhos, tentando-o confortar.
-Fomos tramados pelo timing- respondeu ele continuando- pensa bem no que vai ser daqui para a frente.
-Que tem? Não quero fazer planos, quero aproveitar o momento, estar contigo agora e enquanto sentir estas borboletas na barriga de ter encontrado alguém tão fantástico como tu.
-Nós temos prazo de validade. Quando fores embora para Londres irá tudo acabar- disse ele ingrato com a vida
-As relações à distância resultam- disse ela dando-lhe um beijo na boca- além do mais não vamos fazer planos, apenas viver o presente.
Mais um beijo na boca. Uma mão no pescoço. Corpos juntos, no calor do momento. O "aproveitar o momento" é um sinónimo para algo que o horário nobre não contempla. Ambos sabiam. Afinal eles não eram assim tão diferentes.
A noite avançou. O relógio parecia não mais parar. Da discoteca à casa dela num piscar de olhos. E de olhos bem abertos e vidrados nas sombras do seu quarto, era possível contemplar a poesia humana de duas mentes em sintonia.
No final, mimos e carícias que indicam que o desejo sexual é expandido ao desejo mental e sentimental.
-Que vamos fazer?- disse ele.
-Queres finalmente fazer à missionário é?- disse ela em tom irónico
-Sabes bem do que falo- disse ele tentando não se rir de mais uma deixa que podia ser sua.
-Logo se verá... A distância não é tudo. Podemos ultrapassar tudo- continuou Cláudia com uma mão no rosto dele.
-Não é tudo mas irá atrapalhar tudo. Momentos como este serão complicados.- retorquiu ele triste.
-Cibersex, sexting, o que lhe quiseres chamar... Os dois temos imaginação a mais, damos a volta a tudo.- disse-lhe sorrindo
-O teu corpo é lindo demais para ser arruinado por fraca iluminação e má banda larga.- disse ele, beijando-a na testa
Ela apenas riu da piada. Deitou a cabeça no peito dele, tentando não pensar em tudo aquilo. Ela sabia que ele tinha razão. Ele sabia. Os dois apenas teriam que escolher entre viver uma mentira maravilhosa ou encarar a triste verdade. Porque o amor não é apenas conexões mentais e físicas. Também é timing. E timing, meus amigos, é um dos maiores assassinos das histórias de amor.
quarta-feira, 16 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
Amor é muito mais complicado que isto
Lá estava ela. No meio da pista a dançar a dançar um featuring qualquer de duas estrelas decadentes em busca de redenção.
"Pelo menos não é kizomba"- pensa ele com um copo de vodka na mão, como se de um deslocado na sua geração se tratasse.
Ela? Ela continuava a dançar, como se não notasse ou apreciasse o meu olhar vidrado na sua doce criatura. Raparigas assim adoram atenção. Quando uma morena baixinha com traços de perfeição no corpo aparece, ela automaticamente se torna o centro das atenções. E nós, homens no geral, alimentamos o ego destas donzelas que constantemente nos metem em perigo.
"Mas que perigo?" - pensou ele, com um cigarro na boca e à procura do isqueiro.
O perigo de ficar apaixonado. O perigo de aquela pessoa nos arrebatar o coração e fazer com que nós percamos todo o nosso QI, todo o controlo sobre as nossas acções. Amor. Amor é a pior de todas as doenças.
Mas ela... Ela continuava ignorando-o como se não soubesse o jogo sádico que se estava a passar. O ego aumentava enquanto a atenção dele se transformava em obsessão.
-Ela é perfeita... É mesmo o meu tipo... Fuck. - disse ele, sem se aperceber que o bartender o tinha ouvido.
- Já não é o primeiro a dizer isso dela hoje. - respondeu o bartender, continuando- Sabe, com raparigas como ela tem que se ter cuidado. Um dia estamos lúcidos, no outro sem noção de quem somos sequer.
Ele acenou a cabeça ao bartender, em sinal de aprovação, quando na verdade apenas tinha ignorado aquele comentário.
Ela estava agora sentada, virada de frente para ele. Tinham a pista a separá-los e o jogo de olhares a junta-los. Já não havia censura ou tentativa de camuflar o incamuflável. Eles estavam no primeiro, e mais sincero, sinal de flerte: os olhares. No olhar consegues ver o desejo, a curiosidade, o mistério de quem quer desvendar a tua alma e despir a tua personagem.
Entre olhares, sorrisos.
"-Fuck... Como o sorriso dela é bonito!"- pensou ele, enquanto tentava juntar todos os seus pedaços de antigos desgostos amorosos para ter a coragem necessária para a primeira abordagem.
E quase em piloto automático, lá saiu ele em direcção à musa que o tinha cativado. Podiamos reproduzir o diálogo, mas todos nós sabemos em como tudo é bonito e cativante no inicio. Em como tudo é coincidências, e em como tudo é sinal para aspirar à história de amor perfeita.
E de entre sorrisos e confidências veio o primeiro beijo. E o segundo. E o terceiro. E de repente as suas mãos estavam a apertar o corpo dela contra o seu. Mão na nuca enquanto a beija com desejo. Aquela mordedela no lábio durante beijos, que a deixa louca. A mão que suavemente desce as costas e acaba por apalpar o rabo a que ele tinha deitado o olho durante a noite. E os beijos continuam, a vontade aumenta, e sair dali é a única solução.
Flashs... Desde a saída da discoteca, à casa dela... Ao quarto dela, tudo foi rápido e efémero. O desejo aumentava, as roupas diminuíam, numa conta em que apenas dois corpos nus podiam concluir. E o desejo aumentou tanto como os decibéis feitos dentro daquelas quatro paredes.
E no fim de tudo, a conchinha e os mimos de quem pensa ser o destino a funcionar levam ao sono.
Que bela histór...
*Ele levantasse da cama sem fazer barulho*
"-Que estás a fazer?
-O mais óbvio e maduro.- responde ele, numa conversa mental com a sua consciência/narrador.
-Mas isto pode ser o inicio de uma história de amor tão bonita. Fica!
-Amor? Quem falou em amor? Isto sempre se baseou numa crush, em interesse e química física. Porque isto é simples... Conexões mentais e amor é muito mais complicado que isto..." - respondeu ele, fechando a porta do quarto devagar.
"Pelo menos não é kizomba"- pensa ele com um copo de vodka na mão, como se de um deslocado na sua geração se tratasse.
Ela? Ela continuava a dançar, como se não notasse ou apreciasse o meu olhar vidrado na sua doce criatura. Raparigas assim adoram atenção. Quando uma morena baixinha com traços de perfeição no corpo aparece, ela automaticamente se torna o centro das atenções. E nós, homens no geral, alimentamos o ego destas donzelas que constantemente nos metem em perigo.
"Mas que perigo?" - pensou ele, com um cigarro na boca e à procura do isqueiro.
O perigo de ficar apaixonado. O perigo de aquela pessoa nos arrebatar o coração e fazer com que nós percamos todo o nosso QI, todo o controlo sobre as nossas acções. Amor. Amor é a pior de todas as doenças.
Mas ela... Ela continuava ignorando-o como se não soubesse o jogo sádico que se estava a passar. O ego aumentava enquanto a atenção dele se transformava em obsessão.
-Ela é perfeita... É mesmo o meu tipo... Fuck. - disse ele, sem se aperceber que o bartender o tinha ouvido.
- Já não é o primeiro a dizer isso dela hoje. - respondeu o bartender, continuando- Sabe, com raparigas como ela tem que se ter cuidado. Um dia estamos lúcidos, no outro sem noção de quem somos sequer.
Ele acenou a cabeça ao bartender, em sinal de aprovação, quando na verdade apenas tinha ignorado aquele comentário.
Ela estava agora sentada, virada de frente para ele. Tinham a pista a separá-los e o jogo de olhares a junta-los. Já não havia censura ou tentativa de camuflar o incamuflável. Eles estavam no primeiro, e mais sincero, sinal de flerte: os olhares. No olhar consegues ver o desejo, a curiosidade, o mistério de quem quer desvendar a tua alma e despir a tua personagem.
Entre olhares, sorrisos.
"-Fuck... Como o sorriso dela é bonito!"- pensou ele, enquanto tentava juntar todos os seus pedaços de antigos desgostos amorosos para ter a coragem necessária para a primeira abordagem.
E quase em piloto automático, lá saiu ele em direcção à musa que o tinha cativado. Podiamos reproduzir o diálogo, mas todos nós sabemos em como tudo é bonito e cativante no inicio. Em como tudo é coincidências, e em como tudo é sinal para aspirar à história de amor perfeita.
E de entre sorrisos e confidências veio o primeiro beijo. E o segundo. E o terceiro. E de repente as suas mãos estavam a apertar o corpo dela contra o seu. Mão na nuca enquanto a beija com desejo. Aquela mordedela no lábio durante beijos, que a deixa louca. A mão que suavemente desce as costas e acaba por apalpar o rabo a que ele tinha deitado o olho durante a noite. E os beijos continuam, a vontade aumenta, e sair dali é a única solução.
Flashs... Desde a saída da discoteca, à casa dela... Ao quarto dela, tudo foi rápido e efémero. O desejo aumentava, as roupas diminuíam, numa conta em que apenas dois corpos nus podiam concluir. E o desejo aumentou tanto como os decibéis feitos dentro daquelas quatro paredes.
E no fim de tudo, a conchinha e os mimos de quem pensa ser o destino a funcionar levam ao sono.
Que bela histór...
*Ele levantasse da cama sem fazer barulho*
"-Que estás a fazer?
-O mais óbvio e maduro.- responde ele, numa conversa mental com a sua consciência/narrador.
-Mas isto pode ser o inicio de uma história de amor tão bonita. Fica!
-Amor? Quem falou em amor? Isto sempre se baseou numa crush, em interesse e química física. Porque isto é simples... Conexões mentais e amor é muito mais complicado que isto..." - respondeu ele, fechando a porta do quarto devagar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)