segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

E que saudade...

Passo os dias a pensar. A pensar em como eram bons outros tempos. Tempos esses em que tudo era mais simples. 

 Rostos familiares invadem a minha mente, enquanto a saudade o faz no meu coração. E que saudade, tenho de ter certas pessoas ao pé de mim. Os meus amigos. Aqueles a quem prometi nunca abandonar, sempre que a vodka ganhava sobre a minha inibição de dizer certas coisas. 

Dizer e escrever. Certas pessoas sabiam que uma mistura de vodka, whiskey e rum corria de mim sempre que recebiam uma mensagem as 5 da manhã. Sabiam que eu estava no meu estado mais puro quando o mais puro que o meu sangue tinha era o álcool. E eu abria o meu coração e dizia tudo na cara das pessoas. E chorava agarrado a elas, que nem uma criança sem o seu brinquedo favorito, quando eu realmente não o tinha.

Eu na altura pensava que não estava bem. Que não era muito feliz. Hoje sei que o era. Feliz. Com amigos a minha volta. Hoje não sou assim. Os rostos vão ficando cada vez mais desfocados na minha mente. As noites se tiverem a companhia indecente do álcool serão passadas a contemplar mais um casal apaixonado ou um grupo de amigos forte, com um olhar de inveja e algum ódio. E hoje as 5 da manhã não saberei a quem mandar mensagem... Não me agarrarei a alguém a chorar... Não direi a alguém que a amo, seja apenas em amizade ou em amor de paixão... 

E que saudade de fazer isto tudo...

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Pára o meu tempo...



E ali estavas tu. Mesmo o olhar mais desatento, não podia deixar passar a tua beleza em vão. E eu não sou diferente dos outros. Assim que te vi fiquei perdido na tua beleza. No teu cabelo comprido. Nas tuas curvas.


E tu viste que eu olhava para ti. E apenas sorriste na minha direcção. Sorriste. O mundo parou naquele momento. Toda a gente em volta desapareceu, ficando apenas nós.


E eu tentei apenas ser cool. Parecer confiante, e qual pose de filme parecer galã. 


Ainda hoje nos rimos disso. De como naquela altura fiquei atrapalhado com a tua beleza e simplicidade. Mas hoje faço aquilo que naquele momento tive vontade de fazer de imediato: beijar-te.


E como gosto de te beijar. Gosto de sentir os teus lábios na minha boca. Tanto como tu gostas de sentir os meus no teu pescoço. E eu sei que é golpe baixo fazer-te isso. Mas apenas eu sei isso, mais ninguém. E adoro provocar-te, beijar-te no pescoço e dizer-te que és linda.


E tu não resistes, tal como não resististe naquela noite em que após termos saído eu levei-te a casa. 


Os beijos deixaram de ser românticos. As minhas mãos no teu pescoço encostavam com força o teu corpo ao meu. E as tuas mãos jogavam com as minhas costas, a seu bel-prazer, cravando essas unhas de deusa na minha pele. E como eu gosto disso.


Os meus lábios desceram para o teu pescoço. E tu… E tu, não resistes ao contacto dos meus lábios na tua pele, sobretudo no pescoço. E eu brinco com isso. Provoco-te, beijando. Provoco-te, mordendo devagar. E tu não resistes. 


E não resististe à tentação. As tuas mãos vieram para o meu pescoço, e o frio delas puxou-me para ti. Sussurras-me ao ouvido: “Hoje sou tua!”. E antes de pensar no amanhã e no depois, despi-te o casaco. E tu, o meu. 


As tuas mãos castigavam as minhas costas mais uma vez, no meio, de beijos longos em que as nossas línguas se encontravam. E eu fazia as peças de roupa sumirem-se no meio daquele espaço imenso que naquele momento era o meu carro. 


As minhas mãos puxavam-te pela cintura para mim, sentindo o teu peito contra mim. E eu ao vê-lo finalmente longe daqueles tops provocadores que tu gostavas tanto de usar, sentia-me de novo miúdo, suspirando pela primeira vez que brincava com aquele brinquedo que via todos os dias na televisão. 


Que eu saiba nunca beijei tanto os brinquedos como beijei o teu peito naquela noite. Nem tanto, nem com tanto desejo. E com desejo fiz o soutien desaparecer no meio daquele mar de roupa que o meu carro se tornou. 


A tua boca encontrava a minha e os nossos corpos seminus desejavam-se. E tu despias-me com pressa. A minha mão percorria o teu corpo, chegando ao lugar mais desejado. Tu olhavas me nos olhos, e o teu olhar implorava por algo mais. As tuas mãos também. E de seminus passamos a apenas nus apaixonados e com vontade de subirmos ao céu. 


E subimos ao céu, parando o tempo. Da mesma forma como paraste o tempo quando me sorriste. Da mesma maneira que quero que no futuro pares o meu tempo. Que o pares, não para a eternidade, mas enquanto tu gostes de o parar.

sábado, 8 de novembro de 2014

Aquele nó cego entre amor e nostalgia




Noite de festa. Saida com os amigos, tudo em grande. O Vodka e o safari são convidados mais uma vez em mim se alojarem. As garrafas vão ficando vazias com a mesma velocidade que o vírus da Ébola se propaga. E a noite não pára. Não pode parar pela ingenuidade e inconsequência de uma adolescência transformada em juventude adulta por um par de anos. E no meio desta correria tanta coisa acontece a noite. As músicas, as lembranças, os olhares e a atracção, o desamor e a tristeza. Tudo isto acontece numa só noite. As músicas levam a lembranças de dias distantes. Lembram-me de amor. De como era bom dançar certas músicas agarradinho a quem se gosta. Mas também me lembram que estou solteiro, e que no meio daquela confusão até pode estar uma história de paixão. E no meio de mamas de push up, e rabos empinados, vejo sempre uma cara bonita. Uma cara que me acalma, que me faz pensar em como amar é tão melhor do que paixões de uma noite.   

            É nestes momentos que penso no quão romântico incurável sou. De como apesar de todo o sofrimento que já passei, continuo a acreditar no amor. Aquela esperança de encontrar AQUELA pessoa, esmorece mas nunca vai desaparecer. Quero voltar a ter um grande amor, e sei que um dia o vou ter. 

            Enquanto não o tenho, vou vivendo na ilusão de as pessoas serem mais interessantes do que realmente são, e depressa o interesse desaparece. Paixões de dias, interesses provocados por corpos ardentes, superficialidade, ou o mínimo de interesses em comum. Tudo desaparece. Tudo é diluído na memória, ofuscado por quem nela vagueia. Amor antigo que me assombra até ao fim dos dias por ter sido tão grande como efémero.

E uma noite de festa, torna-se uma noite de nostalgia. Uma noite de possível pegação, torna-se a releitura de todas as mensagens importantes que trocamos. E o telemóvel fica por horas com o teu contacto aberto, á espera daquele toque destemido para voltar a ouvir a tua doce voz. Talvez seja isto ainda amor, talvez seja apenas e só a nostalgia de um tempo que já passou.

Vejo o passado, cheiro a nostalgia e esqueço-me do futuro



Volto ao passado. É uma viagem de 7 horas, ou uma garrafa de vodka de distância. 

Lembro-me daquela noite. Em que encharcados, debaixo do luar, resistimos à tentação de nos beijarmos. E como foi difícil resistir à tentação, quando estavas nos meus braços, com tudo a parecer um clima de filme romântico cliché, em que nas nossas cabeças corria uma música romântica, apenas interrompida pelo rufar dos tambores, sempre que as nossas caras se aproximavam e poderia haver um final feliz.

Fecho os olhos e penso nesse momento. Abri-os, e não vejo com exactidão o que me rodeia. Parece que está tudo turvo, núbio e pouco claro. Não sei bem onde estou. Ao fundo oiço vozes, que parecem apenas ecoar na minha cabeça. Deslumbro olhares preocupados na minha direcção. Sinto-me observado. Sinto um calor quente na minha garganta. Bêbado. Eis como eu estou. Se há sentimento pouco nobre mas que eu gosto de sentir é esta sensação de bebedeira, em que tudo está bem, em que não estou sozinho, em que não sou tão mau. 

Chega ao pé de mim uma cara familiar, fala para mim mas não consigo descortinar o que disse. Apenas noto apreensão na sua voz. Como é bom sentir que alguém se preocupa comigo, ainda para mais uma cara bonita. Espera ai… Eu reconheço este olhar… fecho os olhos para enxergar novamente…

Puf… tudo desapareceu. Olho em volta e vejo o que me parece ser uma sala de aulas. Bem, ou pelo menos o que resta dela. As paredes já não estão completas. Há lacunas em todo o lado. O quadro muda constantemente de cor, qual televisão estragada. Ora branco. Ora preto. Olho em redor e toda a sala começa a ficar igual. As pessoas vão e vem como faíscas que desaparecem no ar deixando um perfume a nostalgia. Olho para a mesa e vejo um caderno cheio de textos escritos por mim. Folhei-o de um lado a outro. Textos sobre a estupidez que cometemos, textos de amor, textos sobre ti.... E tudo pára, no momento em que chegas aquela sala. Tudo parece real, mas volta a desaparecer. Fecho os olhos e faço força para que tudo volte.

Mas não volta. O que passou já não volta. O timing e tudo isto passou. Não volto a ter aquelas sensações. Não volto a ter a tentação de te beijar. De te ter nos meus braços. De imaginar como seria o futuro a teu lado. Já não tenho essa tentação. Nem sobre ti, nem sobre ninguém. E como eu tenho saudades de ter aquela tentação, aquela sensação no estômago antes de ver aquela pessoa especial. 

Então pego na garrafa de vodka a meu lado, bebo e fecho os olhos. Faço força, e tento esquecer tudo o resto, só para por breves instantes eu voltar ter aquela tentação de te beijar no meio da chuva, e imaginar como era se me deixasse levar pela tentação.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Stuck in the game



O sol reflete-se na tua pele, ganhando mais brilho por tocar na perfeição que és. E isto poderia ser mais uma daquelas histórias de amor, com encontros e desencontros, bondade e maldade, pensamentos impuros pela manhã quando te vejo mais uma vez sem roupa na minha cama. Mas não é…

O sol que se reflete na tua perfeição, vem da janela do meu quarto, em que as gretas dos estores, são a única ligação que temos ao mundo exterior. 

-Que se lixe o mundo e tudo o resto.- penso eu olhando agora para a janela.

A teoria da relatividade de Einstein mais uma vez dá as suas mostras, o mundo pára quando estou contigo. Nada mais importa porque estamos juntos, seja no meio do calor da paixão, dos gritos e tremores, quer seja nos beijos inocentes que trocamos antes disso tudo. E de tudo, o que mais gosto, é desses beijos, inocentes, em que não pensamos em mais nada, em que o prazer e a tentação nos rodeiam mas não nos tira a inocência que perdemos na cama. 

Essa inocência volta sempre que te olho nos olhos. Vejo a doçura de menina que reside em ti, a bondade e simpatia que transmites, fazendo de mim melhor pessoa. E a inocência vai e vem, mas volta sempre, nem que seja por breves instantes. 

Nunca te disse mas sempre que te olho nos olhos lembro me da minha infância. Tempos mais simples, mais genuínos. Tempos em que era bondoso, simpático, sem pensamentos tentadores, sem a frieza que os desgostos em nós provocaram. 

No entanto, o que mais me fazes lembrar é uma história de infância. Sabes aquelas máquinas de peluches em que tens que agarrar o que queres com uma garra, e pô-lo na ranhura para o conseguires? Pois houve um dia, em que a minha mãe foi às compras, e deixou-me ali a jogar na máquina. Do meio da multidão de peluches, vi logo algo que se destacava. Um ursinho de peluche, tipo o do Mrs. Bean. Logo tentei tira-lo, mas ele caiu, quando já estava no ar. E tentei mais uma vez, mas ele voltou a cair. E mais uma. E outra. E mais outra. Até que acabaram as moedas, que eu tinha. Eu tinha estado tão perto de o ter por completo que apenas tinha que jogar o jogo até o ter mesmo. Sem moedas, em desespero, entrei pela ranhura para dentro da máquina só para o ter. Só que uma vez lá dentro, já não consegui sair. Fiquei preso no jogo, por querer demais aquilo. 

E tal como agora, estou preso no jogo. Desde o dia em que te conheci, eu também te reconheci do meio da multidão. E fomos nos aproximando. Fomos nos conhecendo. E eu fui jogando o jogo, de vai e vem, de chegar mais perto e ser afastado, até que te tive. Mas não por completo. Somos uma história de pensamentos impuros, gemidos e tremores, enquanto agarras os lençóis da minha cama com a mesma força que agarras o mundo. Não somos, casal, somos casual. Tu não te queres apegar por teres sido ferida no passado, eu não quero perder o que tenho por saber a dor de perder. Mas nós vamos jogando este jogo perigoso. Este jogo em que te quero ter por completo, que quero que sejamos um “Nós” e não apenas um “Eu e Tu”. 

E vou jogando o jogo, porque estou preso a ele… Estou preso a ti.