E ali estavas tu. Mesmo o olhar
mais desatento, não podia deixar passar a tua beleza em vão. E eu não sou
diferente dos outros. Assim que te vi fiquei perdido na tua beleza. No teu
cabelo comprido. Nas tuas curvas.
E tu viste que eu olhava para ti.
E apenas sorriste na minha direcção. Sorriste. O mundo parou naquele momento.
Toda a gente em volta desapareceu, ficando apenas nós.
E eu tentei apenas ser cool. Parecer
confiante, e qual pose de filme parecer galã.
Ainda hoje nos rimos disso. De
como naquela altura fiquei atrapalhado com a tua beleza e simplicidade. Mas hoje
faço aquilo que naquele momento tive vontade de fazer de imediato: beijar-te.
E como gosto de te beijar. Gosto
de sentir os teus lábios na minha boca. Tanto como tu gostas de sentir os meus
no teu pescoço. E eu sei que é golpe baixo fazer-te isso. Mas apenas eu sei
isso, mais ninguém. E adoro provocar-te, beijar-te no pescoço e dizer-te que és
linda.
E tu não resistes, tal como não
resististe naquela noite em que após termos saído eu levei-te a casa.
Os beijos deixaram de ser românticos.
As minhas mãos no teu pescoço encostavam com força o teu corpo ao meu. E as
tuas mãos jogavam com as minhas costas, a seu bel-prazer, cravando essas unhas
de deusa na minha pele. E como eu gosto disso.
Os meus lábios desceram para o
teu pescoço. E tu… E tu, não resistes ao contacto dos meus lábios na tua pele,
sobretudo no pescoço. E eu brinco com isso. Provoco-te, beijando. Provoco-te,
mordendo devagar. E tu não resistes.
E não resististe à tentação. As
tuas mãos vieram para o meu pescoço, e o frio delas puxou-me para ti. Sussurras-me
ao ouvido: “Hoje sou tua!”. E antes de pensar no amanhã e no depois, despi-te o
casaco. E tu, o meu.
As tuas mãos castigavam as minhas
costas mais uma vez, no meio, de beijos longos em que as nossas línguas se
encontravam. E eu fazia as peças de roupa sumirem-se no meio daquele espaço
imenso que naquele momento era o meu carro.
As minhas mãos puxavam-te pela
cintura para mim, sentindo o teu peito contra mim. E eu ao vê-lo finalmente
longe daqueles tops provocadores que tu gostavas tanto de usar, sentia-me de
novo miúdo, suspirando pela primeira vez que brincava com aquele brinquedo que
via todos os dias na televisão.
Que eu saiba nunca beijei tanto
os brinquedos como beijei o teu peito naquela noite. Nem tanto, nem com tanto
desejo. E com desejo fiz o soutien desaparecer no meio daquele mar de roupa que
o meu carro se tornou.
A tua boca encontrava a minha e
os nossos corpos seminus desejavam-se. E tu despias-me com pressa. A minha mão
percorria o teu corpo, chegando ao lugar mais desejado. Tu olhavas me nos
olhos, e o teu olhar implorava por algo mais. As tuas mãos também. E de seminus
passamos a apenas nus apaixonados e com vontade de subirmos ao céu.
E subimos ao céu, parando o
tempo. Da mesma forma como paraste o tempo quando me sorriste. Da mesma maneira
que quero que no futuro pares o meu tempo. Que o pares, não para a eternidade,
mas enquanto tu gostes de o parar.