Lá estava ela. No meio da pista a dançar a dançar um featuring qualquer de duas estrelas decadentes em busca de redenção.
"Pelo menos não é kizomba"- pensa ele com um copo de vodka na mão, como se de um deslocado na sua geração se tratasse.
Ela? Ela continuava a dançar, como se não notasse ou apreciasse o meu olhar vidrado na sua doce criatura. Raparigas assim adoram atenção. Quando uma morena baixinha com traços de perfeição no corpo aparece, ela automaticamente se torna o centro das atenções. E nós, homens no geral, alimentamos o ego destas donzelas que constantemente nos metem em perigo.
"Mas que perigo?" - pensou ele, com um cigarro na boca e à procura do isqueiro.
O perigo de ficar apaixonado. O perigo de aquela pessoa nos arrebatar o coração e fazer com que nós percamos todo o nosso QI, todo o controlo sobre as nossas acções. Amor. Amor é a pior de todas as doenças.
Mas ela... Ela continuava ignorando-o como se não soubesse o jogo sádico que se estava a passar. O ego aumentava enquanto a atenção dele se transformava em obsessão.
-Ela é perfeita... É mesmo o meu tipo... Fuck. - disse ele, sem se aperceber que o bartender o tinha ouvido.
- Já não é o primeiro a dizer isso dela hoje. - respondeu o bartender, continuando- Sabe, com raparigas como ela tem que se ter cuidado. Um dia estamos lúcidos, no outro sem noção de quem somos sequer.
Ele acenou a cabeça ao bartender, em sinal de aprovação, quando na verdade apenas tinha ignorado aquele comentário.
Ela estava agora sentada, virada de frente para ele. Tinham a pista a separá-los e o jogo de olhares a junta-los. Já não havia censura ou tentativa de camuflar o incamuflável. Eles estavam no primeiro, e mais sincero, sinal de flerte: os olhares. No olhar consegues ver o desejo, a curiosidade, o mistério de quem quer desvendar a tua alma e despir a tua personagem.
Entre olhares, sorrisos.
"-Fuck... Como o sorriso dela é bonito!"- pensou ele, enquanto tentava juntar todos os seus pedaços de antigos desgostos amorosos para ter a coragem necessária para a primeira abordagem.
E quase em piloto automático, lá saiu ele em direcção à musa que o tinha cativado. Podiamos reproduzir o diálogo, mas todos nós sabemos em como tudo é bonito e cativante no inicio. Em como tudo é coincidências, e em como tudo é sinal para aspirar à história de amor perfeita.
E de entre sorrisos e confidências veio o primeiro beijo. E o segundo. E o terceiro. E de repente as suas mãos estavam a apertar o corpo dela contra o seu. Mão na nuca enquanto a beija com desejo. Aquela mordedela no lábio durante beijos, que a deixa louca. A mão que suavemente desce as costas e acaba por apalpar o rabo a que ele tinha deitado o olho durante a noite. E os beijos continuam, a vontade aumenta, e sair dali é a única solução.
Flashs... Desde a saída da discoteca, à casa dela... Ao quarto dela, tudo foi rápido e efémero. O desejo aumentava, as roupas diminuíam, numa conta em que apenas dois corpos nus podiam concluir. E o desejo aumentou tanto como os decibéis feitos dentro daquelas quatro paredes.
E no fim de tudo, a conchinha e os mimos de quem pensa ser o destino a funcionar levam ao sono.
Que bela histór...
*Ele levantasse da cama sem fazer barulho*
"-Que estás a fazer?
-O mais óbvio e maduro.- responde ele, numa conversa mental com a sua consciência/narrador.
-Mas isto pode ser o inicio de uma história de amor tão bonita. Fica!
-Amor? Quem falou em amor? Isto sempre se baseou numa crush, em interesse e química física. Porque isto é simples... Conexões mentais e amor é muito mais complicado que isto..." - respondeu ele, fechando a porta do quarto devagar.
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