segunda-feira, 21 de abril de 2014

Crystalised




Não sei se hei de te amar ou odiar. Aplicas te demasiada pressão ao prometer-me o paraíso. E o paraíso transforma-se em inferno com o ritmo consumista que tenho que manter para te deixar satisfeita. Tenho que esquecer e perdoar. Seguir em frente e voltar a sonhar. 

Sinto um rombo no meu barco. Sinto-me a naufragar. A água entra demasiado rápido para que eu possa esboçar qualquer tipo de reacção. Fecho os olhos, e por breves instante, quero que a corrente me leve.  Abro os olhos, e lá estás tu. Apareces-te do nada mais uma vez, fazendo peso e pressão para que me naufrague. 

            Acordo do sonho com um peso no peito e um aperto no coração. Recordo das vezes em que dizias que eu era apenas tolo e ingénuo. De quando me davas a mão sem qualquer intenção que não a mais sincera e sublime delas. De todos os risos que partilhamos, dos carinhos espontâneos….

….E de repente todo o meu pensamento e interrompido. Oiço passos na minha direcção. O som ecoa, a pessoa parece cada vez mais perto. Tu sempre tiveste aquela ânsia em chegar ao que querias, sem pensar em consequências ou medos. E o aumentar daquele barulho fazia-me pensar no desassossego que sentia por não estares comigo.  
    
            Puf… O barulho foi diminuindo até que desapareceu. O barulho e o interesse. Na verdade, estes sempre foram dois elementos que tiveram ligados intimamente. Saiu da cama. Tinha que escapar das memórias que me faziam sentir ligado a ti. E corria pela casa, desesperado para encontrar a saída. Assim que a encontrei corri o mais rápido possível, sem olhar para trás. E a noite, transformou-se em dia. 

Estava sozinho numa qualquer rua, olhei para o céu. Nunca o sol brilhou tanto como naquele momento. Sentia a caírem no chão pequenos cristais de gelo que caiam do meu corpo. Descongelado, sentia-me leve. Subi no céu para tentar roubar pequenas doses de sol para os dias tristes. Porque mesmo descongelado, esses dias existem.

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