quarta-feira, 10 de setembro de 2014

“Não deixes fugir o verão em busca do céu..."



 As lágrimas correm pelo rosto, como a chuva caia lá fora. Os primeiros dias após o verão são sempre deprimentes. – pensou ele. Enquanto tentava aguentar aquele ataque de choro, tão forte com inconsequente.

Na realidade, os últimos dias de verão nem sempre foram deprimentes.- retorquiu, pensando para si próprio, criando um monólogo mental despromovido de sentido. E continuou: Quando era pequeno, os últimos dias de verão era sinal de reencontro com os amigos na escola, naquela ansiedade ingénua e despromovida de qualquer sentimento impuro de quando somos adolescentes e esperamos ansiosos para saber quem será as novas raparigas da turma.

Agora, nem ansiedade e ingenuidade de criança, nem sentimento impuro de adolescente. O seu corpo era percorrido por algo diferente.

Os últimos dias de verão são agora apenas… tristes.- pensa ele olhando pela janela embaciada. Os últimos dias de verão são sinal de despedidas, e desde pequeno que não gosto de despedidas. – disse ele, afastando-se da janela, abanando a cabeça desalentado.

Ele sabia que aqueles dias eram em tudo muito diferentes do que ele tava habituado. A cidade era nova, a companhia era nula, e os amigos e a família ficaram num sitio longínquo, inacessíveis, como os aqueles brinquedos das prateleiras altas ou as modelos de zona VIP que ele via nas discotecas. Tudo deixado para trás em busca de um sonho, difícil de alcançar.

Para que deixar o verão para trás? Para que deixar o sol que iluminava os meus dias longe de mim? – interrogava-se ele, remexendo a dispensa em busca de uma velha companhia, vodka. Mas enquanto percebia que não estava em casa, que ali, nem novas nem velhas companhias tinha, ele continuou divagando.

Se corres atrás do céu a vida toda, podes não perceber o que perdes na Terra…- Disse ele, deixando escapar um sorriso sádico no meio das lágrimas. E se estando ele sozinho, ninguém o ouvia, muito provavelmente se estivesse acompanhado, também ninguém perceberia o sentido daquela frase. Ele não era conciso nem claro, era na realidade obtuso, um mar de frustrações e confusões.


Estou sozinho, e assim ficarei. Posso não fazer sentido, ou ter noção de tudo, mas se tivesse que dar um conselho a alguém… esse conselho seria: “Não deixes fugir o verão em busca do céu..."




   

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