Noite de festa. Saida com os
amigos, tudo em grande. O Vodka e o safari são convidados mais uma vez em mim
se alojarem. As garrafas vão ficando vazias com a mesma velocidade que o vírus
da Ébola se propaga. E a noite não pára. Não pode parar pela ingenuidade e
inconsequência de uma adolescência transformada em juventude adulta por um par
de anos. E no meio desta correria tanta coisa acontece a noite. As músicas, as
lembranças, os olhares e a atracção, o desamor e a tristeza. Tudo isto acontece
numa só noite. As músicas levam a lembranças de dias distantes. Lembram-me de
amor. De como era bom dançar certas músicas agarradinho a quem se gosta. Mas
também me lembram que estou solteiro, e que no meio daquela confusão até pode
estar uma história de paixão. E no meio de mamas de push up, e rabos empinados,
vejo sempre uma cara bonita. Uma cara que me acalma, que me faz pensar em como
amar é tão melhor do que paixões de uma noite.
É nestes
momentos que penso no quão romântico incurável sou. De como apesar de todo o
sofrimento que já passei, continuo a acreditar no amor. Aquela esperança de
encontrar AQUELA pessoa, esmorece mas nunca vai desaparecer. Quero voltar a ter
um grande amor, e sei que um dia o vou ter.
Enquanto
não o tenho, vou vivendo na ilusão de as pessoas serem mais interessantes do
que realmente são, e depressa o interesse desaparece. Paixões de dias, interesses
provocados por corpos ardentes, superficialidade, ou o mínimo de interesses em
comum. Tudo desaparece. Tudo é diluído na memória, ofuscado por quem nela
vagueia. Amor antigo que me assombra até ao fim dos dias por ter sido tão
grande como efémero.
E uma noite de festa, torna-se uma noite de nostalgia. Uma
noite de possível pegação, torna-se a releitura de todas as mensagens
importantes que trocamos. E o telemóvel fica por horas com o teu contacto
aberto, á espera daquele toque destemido para voltar a ouvir a tua doce voz.
Talvez seja isto ainda amor, talvez seja apenas e só a nostalgia de um tempo
que já passou.
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