sábado, 8 de novembro de 2014

Vejo o passado, cheiro a nostalgia e esqueço-me do futuro



Volto ao passado. É uma viagem de 7 horas, ou uma garrafa de vodka de distância. 

Lembro-me daquela noite. Em que encharcados, debaixo do luar, resistimos à tentação de nos beijarmos. E como foi difícil resistir à tentação, quando estavas nos meus braços, com tudo a parecer um clima de filme romântico cliché, em que nas nossas cabeças corria uma música romântica, apenas interrompida pelo rufar dos tambores, sempre que as nossas caras se aproximavam e poderia haver um final feliz.

Fecho os olhos e penso nesse momento. Abri-os, e não vejo com exactidão o que me rodeia. Parece que está tudo turvo, núbio e pouco claro. Não sei bem onde estou. Ao fundo oiço vozes, que parecem apenas ecoar na minha cabeça. Deslumbro olhares preocupados na minha direcção. Sinto-me observado. Sinto um calor quente na minha garganta. Bêbado. Eis como eu estou. Se há sentimento pouco nobre mas que eu gosto de sentir é esta sensação de bebedeira, em que tudo está bem, em que não estou sozinho, em que não sou tão mau. 

Chega ao pé de mim uma cara familiar, fala para mim mas não consigo descortinar o que disse. Apenas noto apreensão na sua voz. Como é bom sentir que alguém se preocupa comigo, ainda para mais uma cara bonita. Espera ai… Eu reconheço este olhar… fecho os olhos para enxergar novamente…

Puf… tudo desapareceu. Olho em volta e vejo o que me parece ser uma sala de aulas. Bem, ou pelo menos o que resta dela. As paredes já não estão completas. Há lacunas em todo o lado. O quadro muda constantemente de cor, qual televisão estragada. Ora branco. Ora preto. Olho em redor e toda a sala começa a ficar igual. As pessoas vão e vem como faíscas que desaparecem no ar deixando um perfume a nostalgia. Olho para a mesa e vejo um caderno cheio de textos escritos por mim. Folhei-o de um lado a outro. Textos sobre a estupidez que cometemos, textos de amor, textos sobre ti.... E tudo pára, no momento em que chegas aquela sala. Tudo parece real, mas volta a desaparecer. Fecho os olhos e faço força para que tudo volte.

Mas não volta. O que passou já não volta. O timing e tudo isto passou. Não volto a ter aquelas sensações. Não volto a ter a tentação de te beijar. De te ter nos meus braços. De imaginar como seria o futuro a teu lado. Já não tenho essa tentação. Nem sobre ti, nem sobre ninguém. E como eu tenho saudades de ter aquela tentação, aquela sensação no estômago antes de ver aquela pessoa especial. 

Então pego na garrafa de vodka a meu lado, bebo e fecho os olhos. Faço força, e tento esquecer tudo o resto, só para por breves instantes eu voltar ter aquela tentação de te beijar no meio da chuva, e imaginar como era se me deixasse levar pela tentação.

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