quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Pára o meu tempo...



E ali estavas tu. Mesmo o olhar mais desatento, não podia deixar passar a tua beleza em vão. E eu não sou diferente dos outros. Assim que te vi fiquei perdido na tua beleza. No teu cabelo comprido. Nas tuas curvas.


E tu viste que eu olhava para ti. E apenas sorriste na minha direcção. Sorriste. O mundo parou naquele momento. Toda a gente em volta desapareceu, ficando apenas nós.


E eu tentei apenas ser cool. Parecer confiante, e qual pose de filme parecer galã. 


Ainda hoje nos rimos disso. De como naquela altura fiquei atrapalhado com a tua beleza e simplicidade. Mas hoje faço aquilo que naquele momento tive vontade de fazer de imediato: beijar-te.


E como gosto de te beijar. Gosto de sentir os teus lábios na minha boca. Tanto como tu gostas de sentir os meus no teu pescoço. E eu sei que é golpe baixo fazer-te isso. Mas apenas eu sei isso, mais ninguém. E adoro provocar-te, beijar-te no pescoço e dizer-te que és linda.


E tu não resistes, tal como não resististe naquela noite em que após termos saído eu levei-te a casa. 


Os beijos deixaram de ser românticos. As minhas mãos no teu pescoço encostavam com força o teu corpo ao meu. E as tuas mãos jogavam com as minhas costas, a seu bel-prazer, cravando essas unhas de deusa na minha pele. E como eu gosto disso.


Os meus lábios desceram para o teu pescoço. E tu… E tu, não resistes ao contacto dos meus lábios na tua pele, sobretudo no pescoço. E eu brinco com isso. Provoco-te, beijando. Provoco-te, mordendo devagar. E tu não resistes. 


E não resististe à tentação. As tuas mãos vieram para o meu pescoço, e o frio delas puxou-me para ti. Sussurras-me ao ouvido: “Hoje sou tua!”. E antes de pensar no amanhã e no depois, despi-te o casaco. E tu, o meu. 


As tuas mãos castigavam as minhas costas mais uma vez, no meio, de beijos longos em que as nossas línguas se encontravam. E eu fazia as peças de roupa sumirem-se no meio daquele espaço imenso que naquele momento era o meu carro. 


As minhas mãos puxavam-te pela cintura para mim, sentindo o teu peito contra mim. E eu ao vê-lo finalmente longe daqueles tops provocadores que tu gostavas tanto de usar, sentia-me de novo miúdo, suspirando pela primeira vez que brincava com aquele brinquedo que via todos os dias na televisão. 


Que eu saiba nunca beijei tanto os brinquedos como beijei o teu peito naquela noite. Nem tanto, nem com tanto desejo. E com desejo fiz o soutien desaparecer no meio daquele mar de roupa que o meu carro se tornou. 


A tua boca encontrava a minha e os nossos corpos seminus desejavam-se. E tu despias-me com pressa. A minha mão percorria o teu corpo, chegando ao lugar mais desejado. Tu olhavas me nos olhos, e o teu olhar implorava por algo mais. As tuas mãos também. E de seminus passamos a apenas nus apaixonados e com vontade de subirmos ao céu. 


E subimos ao céu, parando o tempo. Da mesma forma como paraste o tempo quando me sorriste. Da mesma maneira que quero que no futuro pares o meu tempo. Que o pares, não para a eternidade, mas enquanto tu gostes de o parar.

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