sexta-feira, 14 de março de 2014

A paragem





Aqui estou eu na paragem. Quer faça sol, quer faça chuva, eu aguardo sereno. Vejo o que está ao meu redor, os casais aos beijos, a velhinha a queixar-se do tempo ou de outra coisa qualquer com um conhecido meu, aquele grupo de amigos sempre na palhaçada. 

Por vezes, falo com algum amigo meu na mesma situação, fazendo o tempo voar. Outras, vejo AQUELA rapariga, a que me faz suspirar. Não só pela sua beleza física, mas por toda uma personalidade que me suga a atenção e o fascínio. Mas enquanto espero, pessoas saem noutros autocarros para um destino distante do meu, saindo da paragem. E enquanto umas saem, outras chegam. São interações que desaparecem, são interações que acontecem. E o tempo passa, enquanto não chega o autocarro.

A espera, por vezes, chega a ser frustrante. Vês autocarros a partirem e o teu a nunca chegar. A pressão de chegar é asfixiante. Ainda não cheguei ao meu destino, e o tempo continuar a passar. Na minha cabeça passam milhares de pensamentos, sendo a conclusão sempre a mesma, “será que o meu autocarro nunca chegará?”

            Olho mais uma vez em redor, as pessoas que me rodeiam não são as mesmas. A paragem parece mais opaca e vazia. Aguardo cada vez mais impaciente para chegar ao meu destino. Espero um dia lá chegar porque esta paragem, é a minha vida.

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